SER HOMEM OU SER MULHER : O GÊNERO DO SER HUMANO

FOTO 1 : Dra .Martha Freitas é mestre em sexologia e membro titular da Harry Benjamin International Gender Dysphoria Association-HBIGDA, em 1998, publicou pela Editora Vozes " O meu sexo real " onde analiza a origem somática, congêntita e neurobiológica da transexualidade, além de sexóloga e terapeuta de gênero é engenheira, filósofa e escritora. Em sua clínica GENDERCARE , avalia e trata pessoas com disforias de gênero ou transtornos de Identidade de Gênero (GID), classificadas no CID 10 como F64.0
http://www.gendercare.com



FOTO 2 : Roberta Close, uma das mulheres redesignadas mais famosas.



SER HOMEM OU SER MULHER : O GÊNERO DO SER HUMANO
http://marycross.sites.uol.com.br/genero2.html

Baseado no trabalho de Wal F. Torres & Pedro Jurberg
originalmente foi publicado pela revista Scientia Sexualis,
num 6(3) 2000.
http://waleriatorres.tripod.com.br/walgendertherapy/id5.html


. A consciência da própria condição de gênero , a própria
crença do ser homem ou mulher é o melhor referencial na
classificação de gênero; Na identidade de gênero, e na
autonomia individual de gênero, inclusive na designação do
registro civil.

. Nos humanos, existem núcleos neurais gênero diferenciados.
Esses núcleos promovem reações autônomas a estímulos, que
terminam por estampar na memória emocional do indivíduo
vivências gênero diferenciadas.

. Tal diferenciação neural leva à formação da identidade
neuro-psíquica de gênero a qual não está necessariamente em
harmonia com a conformação genital e/ou a criação.

. O transexualismo, é uma disforia de gênero, um problema
biológico e congênito; uma discordância entre dois sistemas
biológicos: o neural e o genital. Mas o neural prevalece,
porque determina o si-mesmo neuro-psíquico da pessoa.

. Só de transexuais existem aproximadamente 4 milhões de
disfóricos no mundo

. A pessoa tem todos os direitos sobre a sua classificação de
gênero

. Terceiros não podem classificar o gênero de uma pessoa à
revelia de sua vontade.

. A pessoa é autônoma na definição de sua identidade, sendo
agente do reconhecimento e reitificação pessoal.

. Nenhuma visão de mundo, de sociedade, de valores....pode
desconsiderar a autonomia da pessoa , da cidadã , da
paciente.

. O ser humano é um organismo em contato perpétuo com um
ambiente, que se auto-referencia nesse ambiente, de forma
autônoma, como pessoa. Como agente de sua realidade e de sua
identidade e, jamais, como paciente.

. É Não podemos ignorar a compreensão das pessoas sobre si
mesmas, sobre quem são, como se vêm, como se compreendem e
como se sentem.

. Senão não serão pessoas, mas coisas. Não podemos
classificar o outro como coisa, reificando-o; e ao mesmo
tempo devemos respeitar sua auto-classificação como pessoa.

. O respeito pelo como o outro se auto-reconhece e como quer
ser reconhecido são imprescindíveis em qualquer modelo
teórico referente à identidade da pessoa humana, e com
relação a qualquer atributo de sua identidade.

. Não é ético definir exogenamente modelos, sejam eles quais
forem, e depois considerar herege, pecador, anormal ou
psicopata quem não se adapta às nossas teorias ou pontos de
princípio, simplesmente pela sua inadaptação à nossa maneira
de simular a realidade. Na realidade nós mesmos, querendo
absolutizar nosso modelo teórico identificando-o de maneira
absoluta com a realidade, estamos evidenciando nossos desvios
por não nos apercebermos bem da realidade. Devemos ter a
consciência e o equilíbrio para percebermos que o desvio da
realidade nesse caso está em nós e em nossa forma perversa de
absolutizar o nosso modelo, e não no outro, no desadaptado.


. Países ainda sem legislações de gênero preservam a
conformação genital como base de classificação de gênero e
considera freudianamente a psiquê humana como
gênero indiferenciada no nascimento e o reconhecimento dos
genitais como fonte fundamental de auto-identificação.

. Esses Países ignoram os processos neurais intra-uterinos e
consideram a influência e construção social a base da
formação do gênero da identidade como um processo psico-
social construído na primeira infância.


. Esse modelo heterônomo tradicional é profundamente
reducionista , reduz classificando e absolutiza como verdade
sua classificação. É anti-ético porque a pessoa (ainda como
bebê) é classificada por outros à partir de critérios e
categorizações determinados por outros, de forma autoritária.
A pessoa não é agente mas paciente na definição de sua
realidade e identidade.


. Esse modelo tradicional não é científico porque o modelo
desconsidera inúmeras evidências neuro-biológicas em seres
humanos e resultados clínicos --- mostrando evidentemente
enormes debilidades e possibilidades de se mostrar falso em
inúmeras situações.

. Esse modelo tradicional de gênero , não é ético, não
científico e discriminam os seres humanos , tornando-os
social e profissionalmente muito muito discriminadas, e a
maioria delas termina trabalhando como profissional do sexo
ou como profissional da indústria erótica, por exclusão
social e consequente falta de oportunidade profissional --- o
que é uma consequência do modelo teórico vigente, e um de
seus aspectos mais perversos e anti-éticos.

. O Conselho Federal de Medicina- CFM em sua resolução
1482/97 reconhece que esses casos precisam ser tratados por
cirurgias de transgenitalização --- esta é a prática
preconizada pela HBIGDA, e adotada na maior parte do mundo
ocidental .


. O neural pode ser considerado a estrutura do psíquico, como
o psíquico a linguagem do neural Temos que compreender que
essa tradução não é uma redução simplificadora da realidade,
mas a realidade ôntica mais profunda da vivência psíquica.

. Mesmo Eccles, cientista católico, conferencista da
Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano e prêmio Nobel de
medicina, considera que o neural e o psíquico são onticamente
inter-relacionados obrigatoriamente, tendo inclusive aventado
um modelo quântico para essa tradução.

. Com base nisso se alicerça o nosso conceito atual de morte.
A morte cerebral, mesmo que não visceral, autoriza a remoção
e os transplantes de órgãos --- porque subjacente a essa
morte cerebral, neural, talâmica e hipotalâmica, que hoje a
medicina e a academia consideram como efetiva, sabemos ser
inegável a morte psíquica que a traduz, a morte do eu, do si
mesmo. Neural, e portanto psiquicamente, aquele ser, aquele
eu está morto, mesmo que se mantenham os órgãos vivos. Senão,
em cada transplante e remoção de órgãos, teríamos que admitir
que estaríamos cometendo um assassinato.

. A identidade de gênero como crença profunda. Nosso ser é
nossa crença mais profunda. Sabemos que existimos, que somos
alguém. Podemos dizer que nossa auto-referência se molda
desde o início de nossa existência, desde o útero, num meio
ambiente intra uterino em que, com a mãe, formamos um
universo particular, e depois com a imersão num novo
universo, esse processo tem continuidade e amadurece, vindo
um dia a se tornar consciente. Nesse universo intra-uterino
se organizam os sistemas neurais gênero-diferenciados que
podem ser afetados pelo meio ambiente intra-uterino
condicionado pelo estado emocional, imunológico e hormonal
das mães.

. Todos nós concordamos que a primeira infância produz marcas
profundas em nosso ser. Muito mais profundas ainda terão que
ser as experiências traumáticas vividas nesse universo do
útero. Porque essa vivência é a base de tudo e a mais
fundamental. Ela faz parte de nossa primeira construção, e
não é puramente genética e determinista: dela participa
decisivamente o meio ambiente intra-uterino como
contingência. O ser humano, para ser construído,
precisa da proteção de um universo particular--- um útero---
tão sensível ele é para qualquer problema na construção. O
útero e a placenta funcionam como filtros que protegem o feto
de interferências externas. Mas ele estará sempre nesse meio
ambiente que o protege na maioria das vezes, mas
dependendo do estado emocional e de saúde da mãe, poderá se
reverter essa proteção. Ele pode somatizar uma não
masculinização neural se a mãe tiver um estado de stress
muito forte e continuado, por produzir pouca testosterona
nas células de Leydig, por interferências do sistema
imunológico da mãe, por exemplo. O mesmo pode acontecer, se
ela tiver um estado infeccioso

. Portanto, o feto humano, mesmo superprotegido, corre riscos
que perpetuarão suas consequências principalmente no neural e
no psíquico.

. Cada ser humano adulto sabe ser homem ou mulher, como uma
crença profunda (salvo casos muito especiais, que não podem
ser ignorados, em que ocorre uma identidade andrógina. Como a
diferenciação do SBN participa na formação dessa crença?
Procuraremos analisar a dinâmica do que ocorre numa criança
disfórica de gênero do tipo 2 -- no caso uma menina (pois
terá identidade feminina) com genitais masculinos --- quando
se poderá evidenciar melhor os fatores que interferem nessa
dinâmica. No caso de crianças normais, como ocorrem sempre
reforços positivos, não se percebe com clareza a dinâmica do
processo de formação do gênero da identidade.

. Neste sentido o paradigma atual de gênero dos países
tradicionais tornou-se inadequado mesmo explicando a maior
parte dos casos, mostrando-se desgastado quando aplicado a
uma série de situações de disforia e androginia (entre 14 e
15 milhões de pessoas no mundo conforme critérios já
apresentados anteriormente) e equivocado ao desconsiderar a
diferenciação neural de gênero e suas inevitáveis
consequências na psiquê, e por ser a-ético, desconsiderando a
autonomia da pessoa humana, em todas as situações.

. O próprio Freud, cujos pontos de princípio embasaram o
modelo atual, sempre admitiu, demonstrando sua coerência e
grandeza de espírito que, com o crescimento do conhecimento
sobre as diferenciações sexuais, suas idéias poderiam ter que
ser revistas .


. O paradigma freudiano precisa ser revisto, como ele mesmo
previu. Money 1994, muito pressionado, finalmente
flexibilizou seus pontos de princípio freudianos em sua base
e construtivistas sociais em sua dinâmica até então
inflexíveis, o que já era um sinal de que ele mesmo notava
que suas idéias começavam a se mostrar equivocadas e
insustentáveis, e Diamond 1996 faz um excelente e abrangente
comentário sobre esse fato e suas consequências --- vide
também Reiner 1997; Freitas 1998; Wilson 1999; Fausto-
Sterling 2000; Colapinto 2000.


. Uma quantidade significativa de pessoas se sentem
desadaptadas numa das coisas mais fundamentais que é o seu
reconhecimento como homem ou mulher e que, por isso, são
marginalizadas pelo paradigma atual, que as considera
psicóticas (portadoras de GIDs- CID-10, F.64.0) simplesmente
por manterem suas crenças sobre si mesmas, apesar do modelo
teórico vigente. Só este fato já julgamos ser importante para
que procuremos um paradigma que contemple de forma mais
abrangente a vida humana.


. O gênero do ser humano é um grande desconhecido fora da
auto-referência do indivíduo. Portanto o enquadramento
jurídico do gênero não deve poder estar em discordância com a
auto-ferenciação de cada (e de todo) ser humano, em
nenhum caso, sem exceções. Um único registro no momento do
nascimento, realizado por terceiros à revelia da pessoa como
coisa definitiva e reificante certamente não é o sistema mais
adequado.


. O sistema de registro em dois estágios: um provisório com
base nos genitais ao nascer, e um posterior, com base na auto-
referência do indivíduo, após seus 10 a 14 anos .


. Na Holanda, onde se estabelece um segundo estágio de
registro entre os 16 e os 18 anos de idade --- mas existe o
reconhecimento acadêmico ( que o segundo estágio deve vir a
ser antecipado. Só depois pode haver a classificação
definitiva do gênero do indivíduo .

. O conceito de gênero de que homens têm pênis e mulheres
vaginas, e no conceito de sexo de criação, ignora a gênero
neuro diferenciação do feto humano e seu papel na formação da
psiquê.


. Ser homem ou ser mulher não depende apenas de cromossomos,
gônadas, produção endógena de hormônios sexuais e da
conformação genital externa.

. O transexualismo, é uma disforia de gênero, um problema
biológico e congênito; uma discordância entre dois sistemas
biológicos: o neural e o genital. Mas o neural prevalece,
porque determina o si-mesmo neuro-psíquico da pessoa. Então,
se existe uma desordem ela é genital e precisa ser corrigida,
porque a pessoa como si-mesma, acima de tudo , precisa ser
respeitada.
FOTO : Maitê Schneider, escritora, poetisa e lutadora dos Direitos Humanos . Dona do maior Portal da Diversidade da Internet. www.casadamaite.com
O transexualismo, é uma disforia de gênero, um problema biológico e
congênito; uma discordância entre dois sistemas biológicos: o neural e o
genital. Mas o neural prevalece, porque determina o si-mesmo neuro-psíquico
da pessoa. Então, se existe uma desordem ela é genital e precisa ser
corrigida, porque a pessoa como si-mesma, acima de tudo , precisa ser
respeitada


Mary,
Acabo de ler o seu artigo na íntegra, distribuído aqui, de
forma resumida. Simplesmente belo e esclarecedor.
Fiz cópia e encaminhei para profissionais que lidam com o
assunto.
Eu a aplaudo de pé pelo artigo.
Sugiro encaminhar o mesmo, com as devidas atualizações, para
as revistas médicas (existe uma do CFM e a Viver Psicologia,
destinada a psicólogos)
Bjs eufóricos
Glória


Minha linda Mary!!
Amei de paixão essa materia!!
E tb a foto da lindíssima Maitê!!
parabéns Valeu!!
Beijos
Bruna!!